Esta é uma leitura que eu já prevejo que vou recomendar para todos daqui para frente. Um livro com uma premissa inusitada: uma inteligência artificial rege o mundo e todos os seres humanos são imortais, portanto criou-se a Ceifa: uma organização responsável pelo controle populacional, ou seja, por causar a morte permanente a um número determinado de pessoas anualmente.
Informações básicas do livro

Título original: Scythe
Autor: Neal Shusterman
Editora: Seguinte
Lido em: 16 de dezembro, 2025
Gênero: Ficção Científica
Formato lido: E-book Kindle
⭐⭐⭐⭐⭐
Sinopse oficial
Primeiro mandamento: matarás.
A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria… Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador — um papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.
Resenha geral

Eu estava em uma ressaca literária bem longa (pode colocar aí alguns anos) e esse foi o primeiro livro que peguei para ler no final do ano passado. Foi numa simples pesquisa do Google: “livros que são parecidos com Jogos Vorazes” que esse me foi sugerido. Posso dizer que o Google sabia do que estava falando…
“O Ceifador” foi uma das melhores leituras que já fiz – e isso é ser generosa, porque eu já li muito. Ainda não entendo como essa saga não faz tanto sucesso quanto Jogos Vorazes. Esse livro tem de tudo: ação, plot twists, pontos reflexivos e até um pouquinho de romance.
A escrita de Neal Shusterman faz a história fluir rapidamente, passando para pontos de vistas de personagens diferentes. Isso dá uma sensação de uma coletânea de contos no início, mas quando as histórias se encontram, tudo começa a fazer mais sentido.
Reflexões pessoais
Veja bem, Jogos Vorazes é uma saga que me faz refletir constantemente e com a saga Scythe não poderia ser diferente. O enredo é ousado e traz temas complexos de uma forma inusitada.
Como eu viveria se fosse imortal? Como seria a sociedade se ninguém precisasse trabalhar para ter o seu sustento? A sociedade aceitaria ser comandada por uma inteligência artifical de maneira pacífica? Quais seriam as consequências de ser um Ceifador – um portador da morte – em um mundo onde a morte não é o padrão?
“Se você não chorar toda noite, não tem a compaixão necessária para ser um ceifador.”
– Honorável Ceifador Michael Faraday
Eu acho que as consequências de um mundo assim seriam bem mais graves do que as apresentadas por Neal Shusterman… Nós gostamos de acreditar que o ser humano é bom e que nós todos buscamos apenas uma vida melhor para os nossos, mas muitas vezes esquecemos como podemos ser extremamente egoístas e soberbos. A maneira mais fácil de vermos esse traço da humanidade é dando poder para alguém, seja o poder de decisão unilateral ou o poder de permitir ou não a passagem de uma pessoa.
Com isso em mente, imaginei como funcionaria a mente de alguém que pode decidir quem vai morrer hoje. Será que essa pessoa seria realmente honorável? É só pensar em pessoas de influência na nossa sociedade de hoje…
“Afinal, este é um mundo perfeito — e, num mundo perfeito,
não devemos todos ter o direito de amar o que fazemos?”
– Do diário de coleta do ceifador Goddard
Para quem recomendo?
- Indicado para quem gosta de distopias, ficção científica reflexiva, tramas com dilemas morais.
- Perfeito para fãs de Jogos Vorazes, Feios e até do clássico Admirável Mundo Novo.
- Não recomendo se você prefere leituras leves ou tem sensibilidade a cenas de violência e morte.
- Leitores semelhantes: quem curte mundos futuristas com críticas sociais.
Nota detalhada
| Enredo | Personagens | Escrita | Ambientação | Impacto Geral |
| ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
Conclusão
No final das contas, O Ceifador é uma distopia brilhante que faz você questionar o preço da imortalidade. Recomendo de olhos fechados se você curte histórias que misturam ação, filosofia e personagens inesquecíveis.

