Resenha

Um Animal Selvagem: o novo thriller de Joël Dicker é tão bom quanto Harry Quebert?

um animal selvagem

Esse é daqueles livros que eu peguei achando que seria só mais uma leiturinha rápida e acabei chocada com o rumo que as coisas tomaram. É culpa minha, afinal eu não li nem a sinopse antes de começar a ler… Joël Dicker constrói uma teia de segredos entre dois casais tão bem amarrada que eu simplesmente não conseguia prever o próximo movimento, e olha que eu tento adivinhar plot twist o tempo todo.

Informações básicas do livro

Título original: Un animal sauvage

Autor: Joël Dicker

Editora: Intrínseca

Lido em: 10 a 16 de agosto, 2026

Gênero: Thriller / Suspense

Formato lido: E-book Kindle

⭐⭐⭐⭐⭐

Sinopse oficial

Em 2 de julho de 2022, dois criminosos assaltam uma grande joalheria em Genebra. Eles planejaram uma ação rápida e objetiva. No entanto, esse está longe de ser um roubo qualquer.

Vinte dias antes, às vésperas de completar 40 anos, a linda Sophie Braun toma café da manhã em sua luxuosa propriedade margeada por um bosque. Casada com um homem maravilhoso e mãe de dois filhos, tem uma vida que parece perfeita. Mas seu mundo idílico está prestes a desmoronar ― a começar pelo marido, que esconde segredos.

Do lado de fora da casa, oculto entre os arbustos, um vizinho a espiona. Policial de fama impecável e casado com a nova amiga de Sophie, Greg fica fascinado por ela e aproveita a proximidade para espreitar sua intimidade, imerso em uma obsessão crescente. Além disso, um homem misterioso está no encalço de Sophie, seguindo seus passos. E ele lhe dará um presente de aniversário que vai deixá-la perturbada e virar tudo do avesso. Quem é esse homem? E quais são as conexões entre todos eles?

Em novo thriller, Joël Dicker enreda o leitor em uma teia de segredos, inveja, intrigas e reviravoltas. Focando em dois casais e nas mentiras e obsessões que os envolvem, ele conduz o leitor ao longo de vinte dias e de muitos flashbacks , entregando aos poucos as peças desse quebra-cabeça viciante.

Resenha geral

O que mais me pegou em “Um Animal Selvagem” foi a estrutura. Dicker não conta essa história de forma linear, ele fica saltando entre o presente e os vinte dias que antecedem o assalto, e isso faz a leitura ficar viciante porque você sabe o destino, mas não o caminho até ele. Toda vez que eu achava que tinha entendido o esquema, alguma peça nova entrava e reorganizava tudo.

E aí tem a obsessão. Praticamente todo personagem desse livro está obcecado por alguém ou alguma coisa: o vizinho que espiona Sophie, o homem misterioso que a persegue, o próprio elenco em volta dela. É quase desconfortável de acompanhar, no bom sentido: dá pra sentir o clima de vigilância constante que Dicker constrói.

Mas quem mais me chamou atenção foi a Karine. Ela é, teoricamente, a personagem mais “certinha” do livro, a que não está mentindo, traindo ou tramando nada. E mesmo assim, ela vive obcecada pela aprovação da Sophie, repetindo o que a outra fala como se validação alheia fosse a coisa mais importante do mundo. Achei estranhíssimo e, ao mesmo tempo, extremamente humano.

A escrita do Dicker é tão visual que eu literalmente via a cena acontecendo como um filme na minha cabeça. Além disso, eu fiquei imaginando como é que ele fez para escrever esse livro.. Com certeza tinha uma linha do tempo fixa e depois foi misturando o que colocaria em qual capítulo.. Genial!

Reflexões pessoais

Uma coisa que “Um Animal Selvagem” faz muito bem é te fazer questionar o que realmente sabemos sobre as pessoas mais próximas de nós. Todo mundo nesse livro tem uma fachada, e a fachada de ninguém é a verdade inteira.

“Karine ficou se perguntando se era possível admirar e detestar alguém pelos mesmos motivos: aquilo era a própria definição da inveja.”

Esse trecho resume bem o que senti lendo o livro inteiro — tem uma inveja quase inevitável no jeito como os personagens se olham, mesmo quando estão se odiando. E essa linha, especificamente, é sobre a Karine:

“Mas os acúmulos de circunstâncias estão envoltos em aparências. E as aparências enganam.”

Que basicamente é o resumo da trama inteira em uma frase. Só que a passagem que mais ficou martelando na minha cabeça foi essa aqui, perto do fim:

“Eu quis transformar uma pantera num bichinho de estimação. Acontece que os animais selvagens são como os homens. Podemos até amansá-los, maquiá-los e disfarçá-los. Podemos nutri-los de amor e esperança. Mas não podemos mudar a natureza deles.”

Isso resume o título do livro de um jeito quase cruel: por mais que a gente queira acreditar que consegue mudar alguém, ou que ama alguém o suficiente pra domesticar seus instintos, a natureza sempre acaba aparecendo. E é isso que Dicker passa o livro inteiro provando, personagem por personagem.

Para quem recomendo?

  • Indicado para quem gosta de thriller doméstico, suspense psicológico e narrativas não lineares.
  • Perfeito para fãs de Freida McFadden e de tramas com múltiplos pontos de vista e reviravoltas constantes.
  • Ótimo para quem gosta de “ver o filme na cabeça” enquanto lê, já que a escrita do Dicker é extremamente visual.
  • Não recomendo se você prefere ritmo mais lento ou não curte histórias com muitos personagens moralmente questionáveis.

Nota detalhada

EnredoPersonagensEscritaAmbientaçãoImpacto Geral
⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐

Conclusão

No final das contas, Um Animal Selvagem é a prova de que Joël Dicker sabe exatamente o que está fazendo quando o assunto é prender o leitor num quebra-cabeça de segredos e obsessões. Recomendo de olhos fechados se você curte thrillers que misturam suspense doméstico, personagens complexos e aquela sensação de que ninguém é exatamente quem parece ser.

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